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Eleições

 

Bebo um café dentro de casa e, lá fora, um melro procura minhocas no relvado molhado. Estou pronta para sair e dirigir-me à mesa de voto. Votarei sozinha. Bem sei que o ato de votar é solitário, mas irei até à velha escola sem ninguém a acompanhar-me. Quando me lembrei de mudar de concelho, não me lembrei que o local de voto seria outro também. Foi com nostalgia que me apercebi disso no primeiro ato eleitoral já morando aqui. A minha família votará na escola de sempre, numa escola bem reabilitada e equipada com o melhor que há, eu votarei numa escola no meio dos campos que parece ter parado no tempo há mais de cinco décadas. Duas escolas que lecionam os mesmos graus de ensino, ambas escolas públicas e condições tão dispares. Não admira que em certas escolas haja falta de professores, quem não quer boas condições de trabalho? Bem, daqui a pouco votarei em quem acho que estará atento a este tipo de situações (apesar de não ser e nunca ter sido professor), que me parece ser uma pessoa humana e, ao mesmo tempo, com mão firme no governo atual e a diplomacia necessária para o cargo num momento de instabilidade da paz mundial. Enfim, depois de ter ouvido várias entrevistas nas rádios — entrevistas sensatas em que os candidatos têm tempo para se darem a conhecer, mostrarem como pensam e agem, em vez dos debates televisivos que são degradantes e poucos esclarecedores — votarei em consciência. Hoje é dia de sair de casa e fazer um pequeno desvio de dez minutos para se votar na mais alta figura de Estado, na cidade ou no campo.


Nota: aos sábados e domingos estarei por aqui!


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