Há quem tenha um mau acordar, há quem se queixe de viver com alguém que tem um mau acordar, eu assumo, reconheço que tenho um mau deitar. Como há crianças que começam a ficar birrentas a partir do final da tarde com o sono, eu começo a ficar irritada a partir das 19 horas quando percebo que as coisas não se vão encaminhar para estar a subir para o quarto pelas 21h15. Antes do jantar, já sonho com o momento em que estarei de pijama, a ter os cuidados com a pele, entrar na cama com a luz de leitura, ler algumas páginas do livro que estou a ler, colocar a venda, os tampões dos ouvidos para não acordar com a gata, desligar a luz e dormir. Acordo todos os dias pelas 5 horas, bem disposta e serena. Por vezes, o N. fica pela sala quando subo para dormir. Quando se junta a mim e calha de me acordar, talvez porque nesse momento esteja esteja na fase do sono Não-REM, resmungo com ele porque poderia perfeitamente ir para o quarto de hóspedes quando é assim. Na manhã seguinte, encontra-se ...
Ontem, fui buscar o meu carro à revisão, o N. acompanhou-me. Estive muitos anos sem carro. Quando vivia no Porto não sentia necessidade de ter um, seria um luxo, algo dispensável para mim. Mas desde que vim morar para aqui, sem acesso ao metro, achei prudente ter um que satisfaça as minhas necessidades. O mecânico disse que teve de mudar todos os filtros e que o motor tem de ser lavado por baixo para perceber de onde vem uma fuga. Enfim, isto foi o que percebi no final de um discurso repleto de termos técnicos que me entravam por um ouvido e fugiam pelo outro a grande velocidade. No final, conversava sobre as melhores aquisições de carros neste momento e referia-se à carrinha da sua mulher assim: «a mulher gosta», «a mulher não o troca por nenhum outro». Pareceu-me algo rural, rude falar da sua própria mulher como «a mulher», mas depois, questionei-me se não será mais rude tratar alguém como «a minha mulher». Quando ouvimos ou dizemos «a minha mulher» ou «o meu homem» associamo...