Ontem, gostaria de ter vindo até aqui, mas não tinha internet, nem luz. Estava a chegar a casa, vinda do minimercado perto e, de repente, ficou tudo negro na rua, numa chuva que se mostrou violenta entre o vento desenfreado. Por três minutos não consegui estacionar o carro na garagem por ter portões elétricos. Com a lanterna do telemóvel na mão, acendemos velas por toda a sala, uma vantagem prática de ser amante de velas, quando são precisas na falta de luz, não faltam cá em casa. Cozinhar também não podíamos, o arroz caldoso de legumes que me apetecia fazer teve de ficar sem efeito, as placas do forno são elétricas. Mas, se súbito, a casa vibrou com estrondo. Eu e o N. ficamos a olhar um para o outro, o que seria? No curto espaço de tempo em que a eletricidade voltou, ele aproveitou para estacionar o meu carro na garagem, e foi aí que reparou que os painéis solares da casa se arrastaram até à berma da cobertura e ficaram na frágil posição de caírem lá de cima, bastava uma rajada mais forte para que aquela estrutura pesada se estatelasse com força onde calhasse. O N. quis ir à cobertura da casa para pousar a estrutura e arrastá-la mais para dentro. Disse-lhe que não, que chamaria a GNR se o tentasse fazer. Nunca se desafia a força da natureza. A luz voltou a ir abaixo. A robustez do vento lá fora e os sons que se escutavam eram aterradores. Depois do jantar possível, umas tostas com queijo e fruta, deitamo-nos e esperamos até hoje de manhã. Apesar do sono interrompido pela tempestade, várias vezes durante a noite, correu tudo bem, mas a tempestade Marta sentiu-se no Norte como as outras não se sentiram.
Enfim, a vida continua,
e, daqui a pouco, vou votar no único voto que merece ser considerado.
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