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Imaturidade social

 

A sociedade tem-se tornado infantil de forma geral, está presa numa imaturidade emocional que se vê na área política, profissional, na comunidade, na vida familiar, e entre amigos. Esta imaturidade é alimentada diariamente uns pelos outros através da presença física, como no local de trabalho, por exemplo, ou através de programas televisivos ou de rádio. Talvez se pense que ter comportamentos e conversas imaturas se trate de uma espécie de elixir da juventude. No entanto, as crianças pequenas são obrigadas a comportarem-se como adultos, a estarem bem sentadas, a serem bem comportadas, não podem dizer asneiras nem terem pensamentos abstratos, não devem falar alto muito menos berrar, e devem estar compenetradas no que têm de fazer com uma carga horária que se assemelha a trabalho infantil, sem muito tempo para brincarem, para serem crianças. Por outro lado, são superprotegidas ao mesmo tempo que os telemóveis e tablets são as suas amas que fazem com que as suas mentes sejam contaminadas por vídeos que pouco estimulam a sua inteligência. Os pais das crianças são adultos que não tiveram esta infância e adolescência, mas as suas conversas são fúteis, superficiais, tontas, próprias de programas de reality shows. Uma vez, um sociólogo disse-me que as pessoas que participam nestes programas são a representação da maioria dos portugueses. Na altura, não quis acreditar, mas a verdade é que qualquer um de nós que faz parte desta experiência social que é a vida, é exposto aos estímulos exteriores. Se os estímulos forem estúpidos, mais próximos estaremos da estupidez; se os estímulos forem construtivos, mais próximos estaremos de alguma profundidade, e é por isso que prefiro os livros a pessoas.

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  Gosto de rotinas, um dia por semana vou trabalhar para a biblioteca, noutro dia vou almoçar com o N. junto ao trabalho dele e, o resto dos dias, têm horários bem definidos, levanto-me às 5h30, almoço às 13h, janto às 19h e deito-me às 21H30. Há nas rotinas uma certeza de paz, de continuidade serena. Há apenas uma rotina que me atormenta apesar de ser alimentada por mim, não há uma manhã em que não acorde apreensiva, preocupada com alguma coisa sem nome, talvez com a fragilidade da vida, em vez de comemorar a própria vida no sentido mais amplo, a vida, a luz das manhãs, o beijo simples da vida sobre a própria pele. É esta a rotina de abertura ao dia que tenho de trazer para mim. Talvez comece amanhã e faça por me lembrar dela dia após dia até se tornar rotina. Colarei um post-it amarelo no espelho da casa de banho, parece-me um bom plano para uma nova rotina.

Incertezas

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