A sociedade tem-se
tornado infantil de forma geral, está presa numa imaturidade emocional que se
vê na área política, profissional, na comunidade, na vida familiar, e entre
amigos. Esta imaturidade é alimentada diariamente uns pelos outros através da
presença física, como no local de trabalho, por exemplo, ou através de
programas televisivos ou de rádio. Talvez se pense que ter comportamentos e
conversas imaturas se trate de uma espécie de elixir da juventude. No entanto,
as crianças pequenas são obrigadas a comportarem-se como adultos, a estarem bem
sentadas, a serem bem comportadas, não podem dizer asneiras nem terem
pensamentos abstratos, não devem falar alto muito menos berrar, e devem estar compenetradas
no que têm de fazer com uma carga horária que se assemelha a trabalho infantil,
sem muito tempo para brincarem, para serem crianças. Por outro lado, são
superprotegidas ao mesmo tempo que os telemóveis e tablets são as suas amas que fazem com que as suas mentes sejam
contaminadas por vídeos que pouco estimulam a sua inteligência. Os pais das
crianças são adultos que não tiveram esta infância e adolescência, mas as suas
conversas são fúteis, superficiais, tontas, próprias de programas de reality shows. Uma vez, um sociólogo
disse-me que as pessoas que participam nestes programas são a representação da
maioria dos portugueses. Na altura, não quis acreditar, mas a verdade é que
qualquer um de nós que faz parte desta experiência social que é a vida, é
exposto aos estímulos exteriores. Se os estímulos forem estúpidos, mais
próximos estaremos da estupidez; se os estímulos forem construtivos, mais
próximos estaremos de alguma profundidade, e é por isso que prefiro os livros a
pessoas.
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