Na Quinta-feira, acordei
com uma notícia triste. Lobo Antunes faleceu. Ainda há três dias, o meu pai
estava com um livro dele entre as mãos. Comentei que gostava muito daquele
livro de contos. O meu pai refutou tratar-se de um livro de crónicas. «São
crónicas? Para mim são contos», disse. «Mas são crónicas», respondeu-me. «São
crónicas em forma de contos», não quis desistir da minha ideia. «Um e outro
temos razão», acabei por afirmar. Depois, peguei no livro, e constatei ser de
crónicas, mas a minha memória tinha-o guardado como se fosse um livro de
contos. Quando um escritor faz parte das conversas de casa, é uma pessoa da
família, da nossa família literária. Morreu uma pessoa da família, não sendo da
nossa família, mas é reconfortante saber que o reencontro se dará na leitura
dos seus livros, que continuará por casa como antes.
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