Há quem tenha um mau
acordar, há quem se queixe de viver com alguém que tem um mau acordar, eu
assumo, reconheço que tenho um mau deitar. Como há crianças que começam a ficar
birrentas a partir do final da tarde com o sono, eu começo a ficar irritada a
partir das 19 horas quando percebo que as coisas não se vão encaminhar para
estar a subir para o quarto pelas 21h15. Antes do jantar, já sonho com o
momento em que estarei de pijama, a ter os cuidados com a pele, entrar na cama
com a luz de leitura, ler algumas páginas do livro que estou a ler, colocar a venda,
os tampões dos ouvidos para não acordar com a gata, desligar a luz e dormir. Acordo
todos os dias pelas 5 horas, bem disposta e serena.
Por vezes, o N. fica pela
sala quando subo para dormir. Quando se junta a mim e calha de me acordar, talvez
porque nesse momento esteja esteja na fase do sono Não-REM, resmungo com ele
porque poderia perfeitamente ir para o quarto de hóspedes quando é assim. Na manhã
seguinte, encontra-se comigo na cozinha, quando já estou há duas horas a escrever,
e recebo-o com beijos e abraços, mas relembro-o, mais uma vez — talvez como prevenção
para a próxima noite porque, para mim, o sono é sagrado —, que me deixe dormir,
que não se interrompe o sono de uma pessoa com mau deitar.
Nota: os textos da Amélia
de Valois Gouge regressam no dia 17 de abril. Até lá!
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