A chuva regressou hoje,
uma chuva meiga que molha com suavidade, como se pedisse desculpa por chover. Tenho
a terra do jardim toda revolvida, uma pequena máquina está abandonada num
canto. Depois de dois dias de trabalho no jardim, a empresa de jardinagem
avisou que ontem não poderia vir porque precisavam de acabar outra obra. Disseram
regressar na segunda-feira, veremos. Tenho tempo, afinal é um trabalho fora de
casa e não preciso de cá estar para que seja feito, nem interfere com as minhas
rotinas. Não tenho pressa nem quero ser daquelas pessoas implicativas que nunca
estão bem com nada, que procuram, provocam e encontram discussões por tudo, que
estão sempre incomodadas com a vida. Não percebem, mas não é com os outros que
se incomodam, estão apenas descontentes com a própria vida e fazem birra
perante os outros, por qualquer coisa, em qualquer lugar. Eu tenho-me deixado
levar pela vida, bem ou mal tenho-me deixado levar por ela, observo os outros,
analiso o que sinto, constato como reajo perante as situações, faço as minhas
próprias anotações na memória, aprendo e a vida segue. Sou cada vez menos
crítica, tento compreender, o que não é o mesmo que aceitar alguma coisa na
minha vida — acho que esta é a frase que mais repito —, compreender é ver e
analisar, apenas. Sou curiosa perante mim própria e os outros, verifico que ser
uma pessoa implicativa cega, não nos deixa chegar ao local da aprendizagem,
tira o ar e o cérebro sem oxigénio não funciona.
Nota: aos sábados e domingos, estarei por aqui.
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